domingo, 3 de março de 2013

esperança II


Uma vez tive um sonho com um jovem garoto que me encarava...
Dizia para eu ter esperança,
Mas depois de palavras lindas
Eu via um prédio se tornar ruínas

A esperança me magoou assim como o amor
Ambos me feriram como facas enferrujadas
Deixando ainda um rastro de morte para trás

Eu me lembro
Posso lembrar
Daquele sonho
Que no principio
Era tão lindo de imaginar

Sentia o sopro do vento em meu rosto
Sentia o calor do sol em meu corpo
Sentia a felicidade

Mas então tudo ficou cinza
Com a fria sombra do garoto
Dizendo para a esperança não morrer
E logo os gritos de terror do prédio caindo...

Não sei onde me concentrar
Se tudo o que quero não posso ter
Se tudo que sinto não é recíproco
Se tudo que espero ser bom,
Não pode ser mais

Lagrimas de tristeza descem em meu rosto
Lagrimas velhas que não caiam
Lagrimas que mostram
Uma parte do meu coração ainda resiste
Tentando ter esperança

Um coração partido
Repleto de desilusões,
Fracassos,
Tristezas...
E agora com o fim da esperança

Só estou me preparando para o pior
Afinal coisas boas não acontecem faz tanto tempo
Por que algo mudaria agora?

Estou confuso
E feio
Preciso de companhia
Preciso de minha companhia
Preciso do meu amor

Mas como cultivar algo que não existe mais dentro de mim?
Isto só pode ser presenteado
Eu não ganho presentes há tanto tempo
Não digo o material
Mas sim o presente do amor enchendo nossos peitos

O fim da vida é quando se perde esperança
E ela eu perdi há tanto tempo
Que não consigo me lembrar de como é o calor dos vivos
Apenas sei como é o frio e o vazio dos mortos

Depois de um tempo o frio passa a não incomodar mais
O vazio e o frio se tornam uno,
Mas ainda incomodam meu peito...

A cada diz que se passa os humanos ficam longe
Os livros mais perto
O cheiro do chá amargo me encanta mais que uma conversa
Os jogos ficam mais divertidos que um dia de sol

Não adianta me aconselhar
Eu não ouço mais os vivos
Estou mudo e surdo

Mais uma vez falhei
Sem ao menos começar a batalha
Perdi a guerra dos gritos


“o sol é um só mais quem sabe são duas manhãs” (Renato russo)

Quem sabe eu volte a brilhar
Como o sol mais vez
E possa mais uma vez trazer tardes longas e ensolaradas
Com brisas graciosas,
Que perfumam o ar com rosas do campo
Posso um dia ter a vida que eu sempre quis

Quando imagino isto,
 Sinto meu coração bater como de um vivo,
Mas o efeito dura tão breve
 Quanto uma vela acesa em um furacão

Tudo o que aprendi se perdeu
A maneira de demonstrar morreu
Ou foi eu que me perdi em meio às bandas antigas e os livros empoeirados?

Não sei como mudar isto,
Só sei o que irei fazer,
Vou apenas continuar tentado brilhar
Brilhar todas as cores e não uma só 

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